
Olá princesa!
Sabes, hoje como em todas as vezes que cá venho escrever, venho contar-te o meu dia, a minha história, o que sinto e os apertos que tenho...
Hoje vi na RTP um programa que mexeu comigo. Um programa que mexeu no meu mais profundo interior.
A "Grande Entrevista" de Judite de Sousa foi hoje com uma mãe que perdeu um filho.
Nos primeiros 5 minutos da entrevista cheguei a mudar 2 ou 3 vezes de canal para que não sentisse de novo em mim a ferida que por vezes finjo não ter... Passado esse tempo ouvi atentamente o desenrolar da conversa e desisti de esconder-me de mim próprio. Desisti de pensar que não morri contigo e deixei-me levar por onde a televisão me queria levar.
Há coisas que são dificeis de sentir e de ouvir pois retratam na perfeição os sentimentos que nos assaltam, que nos esvaziam o peito e nos enchem os olhos de saudade...
Só quem sente o que sentimos pode saber como é Eterno este amor que sentimos pelos nossos filhos. Como é complicado transportar entre dimensões um sentimento que atravessa o universo mas que chega desde aqui até aí e é recebido como se desde o meu lado se manifestasse.
Não é fácil concentrar nas memórias todos os momentos que poderiamos ter vivido numa vida inteira.
Assisti, firme mas, como sempre que penso que infelizmente não sou o único que tem esta ferida, claudiquei... Caí. Sabendo que amanhã me voltarei a levantar e que enfrentarei novamente este mundo que já foi o teu.
Sabes Princesa, não tem sido nada fácil! Cada dia que passa a saudade aperta mais e mais. A ausência cresce e as falta do sentir nosso o futuro é uma espada que nos trespassa quando nela pensamos.
Cada vez que vejo e ouço gente a falar de tudo aquilo que nos sucedeu percebo o porquê do céu ser um cenário tão iluminado. Cada um tem a sua luz e cada qual acha que a sua estrela é a mais cintilante. Sabes o que penso sobre isso, acho que é mesmo assim!
De cada vez que olho o céu tu estás lá, a brilhar para mim e o teu brilho é cada dia maior!
A tua luz ilumina-me cada vez mais e nela me abrigo da escuridão que me cerca. Que nos cerca a todos os que nesta penumbra nos vamos dizendo vivos ainda que não saibamos o quanto escuros e pequenos somos...
Sabes Princesa, hoje senti-me próximo de todos aqueles que partilham comigo as saudades do teu calor mas estou feliz também por poder atravessar a escuridão sem medo porque te tenho como um farol que me guia.
A ti só peço que me esperes e que continues a iluminar de longe o meu caminho pois eu sei que chegarei...
Poderei assim ser feliz e continuar a sorrir na esperança que me estejas a ver...
AMO-TE TANTO... (mais que ontem e menos que amanhã)