
De frente para o mar, sento-me na pedra fria...
Espero-te sereno
Espero que me esperes na imensidão do horizonte.
Lá ao longe, num pontinho inacessível estás tu.
Não te vejo, mas imagino-te livre, feliz, criança, alegre, risonha.
Como sempre foste...
O frio da pedra recorda-me da matéria que compõe o meu corpo e o azul imenso que me enche o olhar mostra-me que ao longe há notícias de ti.
Olho até onde o meu olhar alcança.
Tento passar para lá, mas a curva planetária deixa-me pregado ao chão e esconde por trás do beijo entre o céu e o mar uma imensidão maior que aquela que os meu olhos podem ver.
Sou humano, e enquanto o fôr, ficarei dentro destas botas de chumbo que todos calçamos.
Sinto-me por vezes descalço. Sinto-me livre e com asas de gaivota.
Por vezes vôo.
Vôo e vejo um pouco mais além.
Vejo luz para lá do sol posto.
Depois, acordo e aperto de novo as minhas mãos contra a pedra fria.
Sinto a sua indiferença, levanto-me e parto sem nunca esquecer que para lá do horizonte, para lá de onde os meus sentidos são capazes, estás TU.
Depois do horizonte, depois de tudo o que os meus olhos viram ou verão há uma luz que me inunda, que me enche de calor e que me dá forças para caminhar pela areia e olhar o oceano de frente à procura de TI...
Até já Princesa...